quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Papa Francisco participará de Encontro da RCC, no Estádio Olímpico, em Roma



Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco deverá participar da XXXVII Convocação da Renovação Carismática, a ser realizada no Estádio Olímpico, em Roma, nos dia 1 e 2 de junho de 2014 sob o tema: “Convertei-vos. Acreditais. Recebam o Espírito Santo. Por uma Igreja missionária”. Foi o que informou o Escritório da Renovação, por ocasião da conclusão da VIII Assembléia Nacional realizada em Fiuggi, de 24 a 26 de janeiro.
Será a primeira vez que o Papa Francisco entrará num dos ‘Aerópagos’ da capital italiana para encontrar-se com os cerca de 50 mil fiéis esperados, vindos de toda a Itália e de diversas partes do mundo.
“A notícia da presença do Santo Padre na Convocação da Renovação suscita em mim – comentou o Presidente da RCC, Salvatore Martinez – uma gratidão amorosa de um filho que olha o cuidado, o afeto, a força, a liberdade do pai. Por ocasião da minha audiência privada com o Papa Francisco em 9 de setembro, havíamos falado da nossa Convocação. O Papa já estava informado a respeito e manifestou o desejo de participar. A notícia ficou sob embargo até a Vigília do Natal, quando chegou a comunicação oficial da Secretaria de Estado. Hoje a anunciamos publicamente, junto ao programa de Convocação”.
A Porta-voz da RCC, Martina D’Onofrio, comentou por sua vez que “a presença do Papa Francisco será um fato histórico na história da Renovação. E acontece no ano em que, transferindo o evento eclesial da Feira de Rímini ao Estádio de Roma, a RCC quer salientar a vontade em apoiar o Santo Padre na sua obra de ‘renovação eclesial’, colocando a própria experiência espiritual no coração da Igreja e a serviço do mundo, a partir das indicações que o Pontífice expressou com eloqüência na Exortação Evangelii gaudium”. (JE)

http://www.news.va/pt/news/papa-francisco-participara-de-encontro-da-rcc-no-e (clique no link)

Renovamento Carismático celebrou 20 anos

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  | POR JM

«Não fiquemos fechados em grupos ou em casa, mas abramos o coração e ajudemos os outros com o exemplo, o testemunho e a alegria própria de quem anuncia o Evangelho», apelou D. António Carrilho na eucaristia do 20.º aniversário da “aprovação do Renovamento Carismático» na nossa Diocese.
Na homilia da missa, celebrada no dia 29 de Janeiro, na igreja do Colégio, o Bispo do Funchal disse que “a tarefa de evangelizar” exige “muita humildade, esforço de conversão, compromisso na unidade e na missão”.
“Humildade para olhamos para o íntimo, o estado de espírito em que vivemos; conversão como exigência de vida nova; unidade nos nossos grupos de oração, na nossa presença nas paróquias, nas comunidades”, sublinhou. “É importante testemunhar a Igreja como assembleia solidária e como família unida. Pelos grupos de oração passa este apelo constante», considerou ainda.
Na sua mensagem à vasta assembleia de fiéis presentes, “vindos de mais de vinte paróquias”, e com a participação também de vários sacerdotes, D. António Carrilho lembrou a feliz coincidência dos “20 anos do Renovamento Carismático” com os “500 anos da Diocese”. E referiu que: “É com muita esperança e alegria que aqui vemos esta família alargada, em oração, com o desejo de louvar, dar graças e acolher o Espírito que continua a penetrar nos nossos corações, a implicar conversão, mudança de vida.»

“Graça do Espírito Santo” cresce na Diocese

Na mensagem dirigida aos muitos participantes na celebração do 20.º aniversário do Renovamento, o actual assistente diocesano, Pe. Manuel Ramos, lembrou os “homens e mulheres, jovens e crianças que, tocados pelo Espírito Santo e abraçando o Renovamento, fizeram caminho de conversão a Jesus Cristo. São 20 anos que falam de pessoas, de histórias de vida renovadas, vidas transformadas, vidas ao serviço da evangelização, vidas doadas para que o Renovamento Carismático seja de facto, e o é, uma graça do Espírito Santo a crescer nesta Diocese do Funchal, que neste ano comemora 500 anos de Fé.”
“Caros irmãos, celebrar um aniversário é olhar o passado, viver o presente e caminhar para o futuro com muita esperança e alegria. Por isso, tendo presente as propostas da acção pastoral da nossa Diocese, rumo as comemorações dos 500 anos da sua criação, desejo que o Renovamento Carismático saía do Cenáculo, tal como os Apóstolos, e a ser evangelizador com o fogo do Espírito. Diz-nos o Papa Francisco: evangelizadores que rezam e trabalham no seu mundo quotidiano, dando testemunho do seu encanto por Deus”, indicou.
Segundo o Pe. Manuel Ramos, o “Renovamento Carismático Católico na Madeira já não é um jovem inconstante. Já atingiu uma personalidade de pessoa adulta, responsável pelos seus actos. Isto significa que o Renovamento é chamado a tomar parte cada vez mais activamente na Evangelização e na vida desta Igreja particular do Funchal.”
Neste sentido, “o surgimento de novos Grupos de Oração, as diversas actividades realizadas em comunhão com a Diocese são uma afirmação de que o Renovamento Carismático é uma célula essencial na vida desta Igreja, com a qual caminha”, afirmou.
“Por intercessão de Maria, mulher sempre presente nos Pentecostes, o Senhor Jesus derrame sobre todos nós aqui presentes e sobre toda a nossa Diocese o fogo do Pentecostes, para nos encorajar a continuar com ardor, alegria e imaginação, o caminho do Evangelho, através do Renovamento”, desejou por fim aquele sacerdote.

Equipa Diocesana ressalta a “alegria da missão”

A finalizar a celebração dos “20 anos da aprovação do RCC”, apresentou-se uma outra mensagem, da actual Equipa Diocesana do Renovamento, com vários agradecimentos e manifestações de alegria pelo caminho percorrido até agora.
“Nesta jubilosa Eucaristia de acção de graças no XX Aniversário da aprovação do Renovamento Carismático na nossa Diocese do Funchal, acreditamos que foi o Sopro do ESPÍRITO SANTO, “oxigénio vital” que nos alimentou e fez crescer, ao longo destas duas décadas, nos fortaleceu numa firme comunhão fraterna e apostólica que a Santa Igreja tanto necessita e espera de nós”, lê-se no referido texto/mensagem assinado por Maria Bela Bárbara.
“São Paulo (Rom 14, 17-19) diz: “O Reino de Deus não é uma questão de comida ou bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Quem serve a Cristo deste modo, agrada a Deus e é aprovado pelos homens.”
“Portanto, procuremos o que contribui para a paz e a mútua edificação.
Obrigada aos irmãos dos diversos Grupos de Oração; os seus Coordenadores e Núcleos, pela vossa fidelidade e pela vossa presença; Obrigada a todos vós que seguis o Renovamento Carismático e participais connosco nesta oração semanal, louvando, glorificando e intercedendo à Santíssima Trindade abundantes bênçãos para nós, para as nossas famílias e para a nossa Igreja Particular do Funchal.
Ao Sr. Bispo e nosso Pastor, que neste dia fez questão de se juntar a este pequeno grupo do seu rebanho, o nosso muito obrigado, sentimo-nos muito honrados com a sua presença.
Ao nosso Assistente, Sr. Pe. Manuel Ramos, um obrigado especial pelo seu empenho e dedicação ao RCC, desde a primeira hora. Sabemos que as dificuldades têm sido uma constante, sobretudo porque a messe é grande e os operários são poucos! Mas sabemos também, que os caminhos do Senhor são estreitos e difíceis. Porém, a Alegria da Missão, torna-nos capazes de transpor qualquer barreira. Um obrigado também aos nossos Jovens Sacerdotes chamados a colaborar com o Renovamento, e que generosamente deram o seu sim: Pe. Paulo Sérgio, Pe. Óscar Andrade e Pe. Giselo. Consideramos que tudo isto, é uma surpresa do Espírito, um sonho de Deus para nos ajudar a viver da fé e da esperança, na certeza da renovação interior, para a Unidade de toda a Igreja. Porque, de facto, aquilo que nos une, é muito mais importante do que aquilo que nos separa.
Agradecemos a todos os sacerdotes que nas suas Paróquias, acolhem e acarinham os Grupos de Oração do RCC. Um obrigado também, a todos os sacerdotes presentes nesta celebração.”

Assembleia diocesana em Março

No próximo dia 9 de Março, na sala de Congressos do Casino da Madeira, irá ter lugar a Assembleia anual do RCC, com o tema “O Espírito Santo cria unidade e envia em missão”. O orador convidado é Pe. Alfredo Neres, comboniano e missionário no Congo.
As inscrições decorrem até ao dia 23 de Fevereiro: nos Grupos de Oração do RCC existentes nas paróquias; na igreja do Colégio, à quarta-feira, das 19h00 às 21h00; ou na Capela do Bom Jesus, Funchal, à sexta-feira, das 18h00 às 19h30.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Bispo do Funchal pede "unidade" na "missão" da Igreja

ARTIGO | 

«Não fiquemos fechados em grupos ou em casa, mas abramos o coração e ajudemos os outros com o exemplo, o testemunho e a alegria própria de quem anuncia o Evangelho», pediu esta noite  o bispo do Funchal na concelebração eucarística dos «20 anos de aprovação do Renovamento Carismático - RCC» na nossa Diocese.
Para esta «tarefa apostólica», exige-se  «muita humildade, esforço de conversão, compromisso na unidade e na missão», indicou na homilia D. António Carrilho. Na sua mensagem à vasta assebleia de fiéis presentes, «vindos de mais de vinte paróquias», e com a participação também de vários sacerdotes, o bispo do Funchal lembrou a feliz coincidência dos «20 anos do RCC» com o «jubileu dos  500 anos da Diocese».
«É com muita esperança e alegria que aqui vemos esta família alargada, em oração, com o desejo de louvar, dar graças e acolher o Espírito que continua a penetrar nos nossos corações, a implicar conversão, mudança de vida», sublinhou.
No mesmo sentido falou o actual assistente diocesano do Renovamento, Pe. Manuel Ramos, na sua saudação inicial, desejando que «o Renovamento Carismático saia do Cenáculo, tal como os apóstolos, e seja evangelizador.»
«O surgimento de novos grupos de oração, as diversas actividades realizadas em comunhão com a Diocese, são uma afirmação de que o RCC é um célula essencial na vida  desta Igreja com a qual caminha», afirmou.
In "Jornal da Madeira"

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

XX Aniversário do RCC 2014


O Renovamento Carismático, celebra o XX Aniversário da sua  aprovação na nossa Diocese, no próximo dia 29 de Janeiro, na Igreja do Colégio às 19h30. A Eucaristia, será celebrada pelo Sr Bispo D. António Carrilho.
Convidamos todos os Grupos de Oração Carismática das várias Paróquias, para participarem connosco, nesta celebração festiva de ação de graças, assim como todos os irmãos, e não só, que caminham connosco nesta espiritualidade Renovadora do Espírito.

Lembramos que estão a decorrer as inscrições para a nossa VI Assembleia Diocesana do RCC, que se realizará no dia 09 de Março, na sala de Congressos do Casino. Tema da Assembleia: "O Espírito Santo cria unidade e envia em missão". Orador convidado: Pe Alfredo Neres, em Missão no Congo. 

INSCRIÇÕES:
Poderá ser às quartas-feiras, na Igreja do Colégio, das 19:00 às 21:00 horas e na Capela do Bom Jesus, Funchal, às Sextas-feiras das 18:00 ás 19h30, ou ainda, nos Grupos de Oração do RCC, existentes nas diversas Paróquias. Não esqueça que os lugares são limitados e que só poderá ter acesso à entrada na Assembleia, mediante a apresentação do seu crachá.
Inscreva-se.
O prazo das mesmas, termina a 23 de Fevereiro.

P'la Equipa Serviço Diocesana.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A última entrevista do Cardeal Suenens

Artigo de D. TEODORO DE FARIA     in  Pedras Vivas

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA |  | POR JM

A 8 de maio de 1996, vítima de trombose, Deus chamou à sua presença o Cardeal Leo Joseph Suenens. Até ao fim da sua vida, apesar de Emérito ele considerou-se «bispo ativo».
Em 1987, após 20 anos do aniversário da aprovação do Renovamento, colocaram-lhe diversas perguntas sobre o Movimento iniciado nos Estados Unidos nos ambientes católicos e divulgado por ele na Europa. Foi o Renovamento, de facto, um Novo Pentecostes?
A sua resposta mostra que nem tudo decorrera sem queixas nem interrogações. Da parte de Deus, disse, tratou-se de uma graça, e sobre isso não há interrogações a fazer, quanto ao acolhimento dos cristãos, há lugar para falar de mais ou de menos; quanto à graça «oferecida» por Deus foi novo Pentecostes, quanto à graça «recebida» e aceite, foi sim e não.
O «Renovamento pentecostal», como gostava de chamar, de preferência a carismático, visto toda a Igreja ser carismática, foi uma ação do Espírito Santo no coração da Igreja. Nós não terminamos de descobrir o Espírito Santo na teologia, na espiritualidade e na pastoral, precisamos de progressos para o colocar no coração da nova evangelização.
A encíclica «Dominum et vivificante (Senhor que dá a vida) de João Paulo II, é um convite para acentuar esta função. O Espírito Santo não é monopólio de ninguém, nem de nenhum movimento, temos de alegrarmo-nos com a renovação da oração sob diferentes formas, como a Comunitária, deixada à espontaneidade e liberdade do Espírito Santo. Não é preciso exagerar nas palavras, pois a oração precisa de momentos de silêncio, é uma questão de equilíbrio e de bom senso, sem esquecer que somos mais tentados pela letargia do que pela exuberância. De facto, as nossas liturgias sofrem ainda, e talvez mais do que no passado, de serem formalistas ou mal preparadas.
Interrogado sobre a «oração em línguas», o cardeal recusa a interpretação dada pelos pentecostais de que se trata de línguas estrangeiras, não é um dom de línguas desconhecidas, mas uma graça para orar num estilo não formulado, ou seja, não construído. Lamentava-se de ter escrito sobre o assunto mas não ter evitado a ambiguidade. O cardeal não era, portanto, um admirador de ruídos sem sentido.
Revoltava-se também com as leituras fundamentalistas da Bíblia que ignoravam os géneros literários, neste campo, é preciso ser guiado sempre pela Igreja, para evitar tanto o literalismo como o mitologismo.
Quanto ao estilo de nas reuniões se usarem expressões como: «Deus disse-me», «escutai-me meus filhos», ou então «Tentem anunciar o futuro», é preciso ter em conta, diz Suenens, que o Concílio Vaticano II chama aos cristãos um «povo profético», ou seja, portador da Palavra de Deus. Aconselha a evitar sempre o género apocalíptico, mas é natural dizer uma palavra ou um texto que mais impressionou o fiel durante a oração. Mas, atenção, ninguém tem um fio direto para comunicar com o Espírito Santo, quando quer ou entende invoca-lo. Quanto à atitude do Renovamento parecer marginal em relação às paróquias, o Cardeal diz que a responsabilidade é dupla, mas que se tenda para uma maior integração, muito depende das pessoas e dos padres encarregados das comunidades. Se o padre fez a experiência «pentecostal» do batismo no Espírito Santo, há probabilidades de «semear a compreensão mútua”.
Em relação ao “baptismo no Espírito», o cardeal nega que seja um «super-batismo», mas a experiência de uma graça recebida nos sacramentos do batismo e da confirmação. É necessário reencontrar o Senhor numa experiência de vida, sem a qual os grupos de oração não teriam profundidade vital.
Quanto às «reuniões de curas», Suenens deseja que haja mais discreção e que se dê tempo para se confirmar a cura. Nos processos romanos de beatificação, é necessário que a cura se verifique até 10 anos após o facto. A Redenção é um mistério da cura do homem na sua profundidade interior, a eucaristia é penhor de cura para a alma e o corpo. O cardeal está de acordo com a atitude negativa de Roma, em relação «ao repouso no espírito», quando apresentada como ação direta do Espírito Santo, assim como a respeito dos «exorcismos selvagens». É preciso saber rezar o Pai Nosso e confiar na petição do Senhor para nos «livrar do mal»». Excetuam-se os casos extremos de exorcismos, permitidos pelo bispo.
Quanto ao ecumenismo, o Cardeal, é de opinião que é preciso partir para a união das Igrejas e não dos cristãos, começando por unir as Igrejas que guardaram as tradições apostólicas, como as ortodoxas, anglicanas, luteranas, ou seja todas as “Igrejas santas».
Pede também para não se falar do Renovamento como de um movimento ao lado dos outros movimentos, mas de uma «moção» ou «sopro do Espírito Santo». O principal está em descobrir o segredo do Pentecostes “ad intra,”no mistério de conversão interior e pessoal, e “ad extra,” no apostolado.
Faz votos para que o renovamento seja como um rio de água viva, correndo para o mar, para que o Espírito de Deus se torne vida de todos, e «renove a face da terra».

O Renovamento na diocese do Funchal

Após uma pequena experiência titubeante do renovamento numa paróquia da Madeira, considerando os sinais dos tempos, julguei ser chegado o momento de aprovar o Renovamento na Diocese, numa época em que uma seita de origem brasileira, tentava expandir-se na diocese, apresentando remédios para todos os males e, quando havia fé, demonstrada nas grandes ofertas materiais, até realizava milagres.
Convidei o Sr. Cón. Tomé Velosa, sacerdote formado nos métodos da Ação Católica e encarregado da direção do Jornal da Madeira, missão que cumpriu com arte e sabedoria, a conhecer o Renovamento na Europa, estava convicto que a forma como era vivido na América Latina não responderia à nossa situação.
Acompanhado pelo diácono José Fernandes Carreira, o Cón.Tomé Velosa dirigiu-se para a América central, para um retiro e atividades do Renovamento que influenciaria fortemente o Renovamento na Diocese.
O trabalho do Cón. Velosa como diretor, foi louvável, mas não conseguiu evitar desde o princípio que surgissem diversos grupos que dividiram e enfraqueceram o Renovamento.
Pensámos possuir uma casa de formação para o Renovamento no Funchal, mas só foi encontrada uma em São Roque. Foi comprada, devido a uma generosa oferta particular, com alguns ofertórios da Igreja do Colégio, para servir a todos os grupos na formação e oração. Dentro de pouco tempo a casa foi apresentada como pertença de um pequeno grupo, sendo desviada da sua finalidade original, o que muito me entristeceu.
Apesar de todos os ventos e marés o Renovamento continuou vivo e ativo, embora ligado por um cordão umbilical à tradição da América Latina. Ajudou muitos cristãos em tempos difíceis a conservar acesa a luz da fé. Foi um dom de Deus apesar das tensões e divergências que criou e não soube curá-las.
Desde os primórdios da criação, o Espírito de Deus renova a face da terra, apesar dos condicionamentos dos homens e dos espíritos do mal. Como Espírito criador e vivificador, Ele «semeia a todos os ventos» da história humana e da salvação.

Teodoro de Faria, Bispo Emérito do Funchal
Funchal, 15 de Dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Movimento Carismático e documento de Malines

Artigo de D. TEODORO DE FARIA     in  Pedras Vivas

O Cardeal Leo Mercier, como o seu temperamento indica de «leão», não repousava sem que o Renovamento Carismático fosse reconhecido de pleno direito pelo Chefe da Igreja, sem o constranger, iluminado pelo Espírito Santo. O Cardeal constituiu um grupo internacional, mas segundo uma decisão tomada em Grottaferrata, na Itália, para acreditar o Movimento, devido em parte a uma oposição nascida nos Estados Unidos e, outra mais difícil ainda, na Cúria romana.
Reuniu uma Comissão teológica e pastoral na sua diocese, donde sairia o «Documento de Malines», formado por pessoas provenientes dos E.U.A., Chile, França, Alemanha, México, e enviou o documento para ser consultado pelos grandes teólogos da época, Congar, Ratzinger, Rahner e Küng. A função do Cardeal Suenens era presidir às reuniões e discussões. Enviou o texto a Paulo VI, o Papa recebeu com muto agrado o Documento escrevendo: «É exatamente o género de atualização que pensamos; continuar a fornecer-nos exposições deste género ao serviço do Renovamento».
Seguiram-se outros seis documentos, o último dos quais o «Repouso no Espírito», que pedia para não se considerar este fenómeno como um novo carisma e aconselhando a ser prudente. Estes documentos tinham a finalidade de regular a atividade vital do Renovamento, mas separando o trigo do joio, missão que deve acompanhar a renovação ao longo dos anos.
O Cardeal sofria com tantas ambiguidades que surgiam e haviam de continuar a aparecer na história do Renovamento, e que exige sempre gente de mente aberta, mas segura e não doentia. O cardeal continuava a informar Paulo VI do que se passava no Renovamento, principalmente nos Estados Unidos.

Um Novo Pentecostes?

Suenens escreveu um novo livro, «Teologia do Apostolado da Legião de Maria», para que fosse conhecida a ação do Espírito Santo em nosso tempo.
O teólogo, meu professor em Roma, René Laurentin, fez crítica ao livro e escreveu: «O autor quer mostrar como o sopro do Espírito realiza e propõe hoje em grandes situações, a «democracia da santidade». O Concílio, de facto, não tinha introduzido a democratização na Igreja, mas antes a democratização da santidade, fruto da graça do batismo. Era perigoso reduzir o Renovamento a um movimento como os outros na Igreja; o Espírito Santo é necessário para renovar todos os movimentos. O cardeal Suenens reconheceu a natureza carismática de toda a Igreja, o que tinha já afirmado na aula conciliar, e Paulo VI tinha sublinhado tantas vezes. Todos os dons do Espírito de Deus têm por finalidade edificar o Reino de Deus; mas nada impede de discernir uma presença privilegiada onde e quando ela se manifesta.
Presença e discernimento, significa cristo centrismo na vida cristã; profundidade na vida de oração, tanto pessoal como comunitária; amor renovado à Sagrada Escritura; sentido da Igreja. Para o Cardeal Suenens, o Renovamento não é um movimento a juntar aos outros, mas «uma corrente de graça que passa e leva a uma mais alta tensão, consciente da dimensão carismática inerente à Igreja». Dois polos animam toda a vida eclesial do Cardeal Suenens, o ecumenismo e o sentido do mistério de Maria, mãe de Jesus.
Durante o Sínodo de 1974, o Papa Paulo VI ao sentar-se na sala para a audiência pública aos peregrinos, falou da importância dos carismas em nosso tempo. Depois, toma um livro, apresentou-o à assembleia dos fiéis e disse. Faço alusão a um livro recente escrito pelo Cardeal Suenens intitulado «um novo Pentecostes?» O Cardeal descreve e justifica esta espera do Renovamento. A efusão abundante de graças sobrenaturais, que se chamam carismas, pode verdadeiramente marcar uma hora providencial na história da Igreja».
Uma dirigente americana do Renovamento, Verónica O’Brien, propõe aos dirigentes do renovamento para delegarem alguns membros para virem a Roma e viverem o Sínodo com os bispos, em comunhão de oração com eles e por eles. Vinte membros de diversas partes do mundo chegaram a Roma. Traziam como programa celebrar a Eucaristia em comum; reuniões de oração; contactos múltiplos com os bispos do Sínodo; e, um encontro de oração e informação com os cardeais, bispos, e personalidades de passagem por Roma. As reuniões realizaram-se na Cúria dos Jesuítas, onde vivia o humilde e dinâmico Pe. Arrupe. Paulo VI agradeceu a iniciativa aos membros do renovamento e envio-lhes uma recordação. A tradição destes encontros continuou nos sínodos seguintes.
No Ano Santo de 1975, Roma foi escolhida para o Congresso marial e mariológico. Dez mil peregrinos do Renovamento deslocaram-se a Roma pelo Pentecostes.
O presidente do Congresso foi o Cardeal Suenens, o Papa veio assistir ao Congresso e L’Osservatore Romano publicou um documento importante sobre a missão de Maria no mistério da salvação. Para o renovamento, o Pentecostes de 1975 foi uma data histórica, ele foi recebido oficialmente na Igreja de Jesus Cristo.
Na segunda feira de Pentecostes, o Cardeal Suenens celebrou a Eucaristia no altar papal da confissão de São Pedro, rodeado de uma dezena de bispos, 800 padres, 10.000 peregrinos do Renovamento e 5.000 de passagem.
Paulo VI realizaria uma audiência memorável, com um discurso em francês, inglês, espanhol e italiano, deu as boas vindas, acolheu a Igreja do Renovamento, apresentou-lhes as diretrizes de discernimento como São Paulo fizera aos Coríntios.
O texto papal constitui o documento base do Renovamento Carismático. Junto do altar o Papa abraçou o Cardeal Suenens dizendo-lhe: «Eu vos agradeço, não em meu nome, mas em nome do Senhor, por tudo aquilo que fez e fará para conduzir o renovamento Carismático no coração da Igreja».
O Cardeal agradeceu ao Papa enviando-lhe uma carta. Para além do agradecimento, o cardeal referia o encontro da segunda-feira de Pentecostes num hotel de Roma com uma dúzia de líderes protestantes que seguiam para Veneza para continuar o diálogo ecuménico com os membros do Secretariado para a Unidade da Igreja. Um deles exprimiu a alegria e emoção de todos, dizendo: «João XXIII abriu uma janela, Paulo VI acaba de abrir uma porta». O Cardeal terminava a carta, dizendo ao Papa «o muito obrigado pela Exortação Apostólica sobre a alegria no Espírito Santo, nós guardaremos preciosamente o eco nos nossos corações».
Neste ano estava em Roma, no Colégio Pontifício Português, acompanhei os acontecimentos do Ano Santo e a aprovação por Paulo VI do Renovamento Carismático, não imaginava, porém, que um dia, Bispo na diocese do Funchal, aprovaria o Renovamento Carismático, segundo as diretrizes do Santo Padre, e não de modas e divisões de grupos alheios à ação do Espírito Santo.

Funchal, 8 de dezembro de 2013
† Teodoro, Bispo Emérito do Funchal

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O movimento carismático após o Concílio Vaticano II

Artigo de D. TEODORO DE FARIA     in  Pedras Vivas
Certo dia, quando era Reitor do Pontifício Colégio Português em Roma, o sr. cardeal António Ribeiro diz-me que não almoçaria em casa, devido a ter sido convidado pelo sr. cardeal Suenens, para com outros cardeais, lhes falar do «Movimento Carismático».
Era muito conhecido o livro «Une Nouvelle Pentecôte?», (um novo Pentecostes), traduzido em inglês, italiano, alemão e espanhol do sr. cardeal L. J. Suenens, arcebispo de Malines - Bruxelles, na Bélgica, e a influência que exerceu em Roma junto de cardeais e do Papa Paulo VI, para conhecimento e aprovação pela Igreja Católica, do Renovamento Carismático.
O cardeal foi influenciado com a aparição em New York, em 1973, de um grupo de oração chamado «catholic pentecostal», que se reunia na Universidade dos Jesuítas em Fordham.
O cardeal, que no Concílio falara do despertar dos carismas na Igreja, e se preparava para escrever um livro «L’ Espirit Saint, notre espérance», renunciou publicar este livro, para dar atenção ao novo movimento que tanto o impressionara. Teve um encontro com o diretor espiritual Jim Ferry, padre de grande piedade na Legião de Maria, que animava então um grupo de religiosas «carismáticas».
Estes contactos, escreve o cardeal Suenens, «de um momento para outro deram-lhe a impressão que os Atos dos Apóstolos e São Paulo, se tornavam vivos e atuais e o que fora automaticamente verdadeiro no passado se produzia agora à frente dos olhos» (S. e E. pg. 214). Suenens encontrou-se com os membros, homens e mulheres, das comunidades de vida dos E. U. A. que os impressionou com a renovação da sua vida cristã.
Pensou, imediatamente, falar ao Papa Paulo VI de tudo o que vira e admirara. Numa audiência com Paulo VI, a 19 de Fevereiro de 1973, ao falar do Ano Mariano que teria o centro na Espanha ou no Brasil, entusiasmou o Papa a que o Congresso se realizasse em Roma e, nessa ocasião, pergunta a Paulo VI: «Conhece o movimento carismático», o Papa diz-lhe que não e o cardeal expõe-lhe durante uma hora e um quarto, um resumo do Movimento. Entusiasmado com a bênção do Papa, o Cardeal adianta-se: «Não poderia o Santo Padre que viesse o grupo carismático de oração, que já existe em Roma com os professores da Universidade Gregoriana, a fim de rezarem na vossa capela, diante de Vossa Santidade?»
Adianta Suenens: «Não poderia convidar um padre do Renovamento a pregar o retiro da Quaresma à Cúria Romana?»
O Papa falou de outros temas, acenando ao grande e profundo livro do teólogo ortodoxo Boulgakov sobre o Espírito Santo que iria ler, em breve, ao que Suenens sugere ao Papa o livro do grande teólogo H. Mühlen sobre o mesmo assunto.

O Espírito Santo e Maria

Para que o Renovamento se desenvolvesse na Europa precisava da aprovação de Roma, o coração da Igreja, para depois se estender a todo o mundo.
Organizou-se um Congresso de pessoas escolhidas e qualificadas, carismáticos de todo o mundo, junto de Roma, em Grottaferrata, que estava programado para Porto Rico.
A escolha de Roma, na visão de Suenens, era levar a Santa Sé a tomar uma posição pública perante o Santo Padre. Diplomaticamente, o «convertido» Suenens ao movimento, escreve ao Papa que pensava participar no Congresso, sem pedir licença, visto ser Cardeal, para deixar em liberdade a Santa Sé reagir a favor ou não.
A presença de um cardeal na cerimónia pública, implica, implicitamente, uma aprovação de Roma. Entretanto o secretário de Estado, Mons Benelli, pede-lhe para, em nome do Santo Padre, não assistir.
O cardeal Suenens escreve uma carta muito refletida ao Papa, dizendo-lhe que obedecia, mas havia um ponto a considerar, a escolha de Roma fora ideia sua, para mostrar o desejo de profunda união com o Papa e intensificar a comunhão com a hierarquia.
Dizia que estes homens e mulheres de boa vontade se submetiam à Igreja institucional, mesmo que lhes pedisse para não mais se reunirem. Escrevia também, que os bispos americanos se tinham pronunciado com prudência e delegaram um bispo como agente de ligação. Portanto, era conveniente que o bispo não deixasse o rebanho sem um pastor. A preocupação daqueles leigos era encontrar orientações de base, regras seguras, para que o movimento ao crescer tivesse o espírito de obediência filial e de respeito pela autoridade da Igreja. O seu desejo era ajudar a Igreja no renovamento espiritual do próximo Ano Santo. Nessa ocasião estarei em Roma para tratar de outros assuntos pastorais. Pedia ao Santo Padre, para que os dirigentes leigos não interpretassem a sua ausência como sinal de desconfiança ao não participar nas reuniões, mas gostaria de ter alguns contactos previstos para Roma com alguns dirigentes.
O secretário de Estado, Mons Benelli, escreveu ao cardeal Suenens dizendo-lhe que a sua carta foi bem recebida pelo Papa, que dissera merecer a sua confiança, e, se ele o desejasse, faria uma visita a Grottaferrata, ou até celebraria a Santa Missa.
O fruto do Congresso de Grottaferrata foi uma audiência privada concedida por Paulo VI a 15 congressistas, Suenens pediu para não estar presente para não implicar uma aprovação de Roma. O texto que o Papa leu exprimia um encorajamento.
Uma das dirigentes do Movimento, Verónica O’Brien, pediu a criação de uma Comissão teológica e pastoral. No ano seguinte reuniu-se uma equipa no arcebispado de Malines para elaborar o primeiro documento de orientação.
O Renovamento cresceu intensamente em todo o mundo, em 1973 reunia um Congresso nacional em Montreal, no Canadá e, ao mesmo tempo, um outro no estado de Indiana, nos E.U.A. O cardeal Suenens esteve presente nos dois congressos.
No dos E.U.A. estudou-se a função de Maria, Mãe de Jesus, esposa do Espírito Santo, no Renovamento, perante uma assistência de 30 mil católicos e participação de cristãos de outras proveniências, que refletiram sobre um ecumenismo autêntico que respeite a identidade de cada cristão.
Mais tarde, noutro Congresso nos E.U.A. com mais de 30.000, pessoas o cardeal Suenens pedia: «Senhor, ajuda-nos a apressar o encontro entre a Igreja «institucional» e a Igreja «carismática».
Nessa ocasião só estava presente um cardeal - Suenens - mas era acompanhado de uma dúzia de bispos e 600 sacerdotes.
Ao terminar a sua homilia, Suenens disse à multidão: «E, agora, se quereis um segredo para estar seguros de receber o Espírito Santo, eu vo-lo indico. Ele chama-se união a Maria». A multidão replicou com uma longa e vibrante ovação.
A um teólogo ortodoxo ao qual perguntaram no Concílio, que documentos escreveria a Igreja oriental para um Concílio, ele replicou: «Dois capítulos, um sobre o Espírito Santo e outro sobre Maria».

Funchal, 1 de Dezembro de 2013
† Teodoro, Bispo Emérito do Funchal